ENTRE PAISAGENS NORDESTINAS, FLORES E FIGURAS FEMININAS, LU FILGUEIRA TRANSFORMA AS MEMÓRIAS DO INTERIOR DA BAHIA EM UMA ARTE DE CORES VIBRANTES E RAÍZES AFETIVAS.

13 de outubro de 2026

Lu Filgueira nasceu em Santa Maria da Vitória, no interior da Bahia. Filha de um artesão seleiro, guarda na memória a simplicidade da vida no campo, onde viveu por um breve período, e traz para suas obras a influência do trabalho do pai. Por meio de um trabalho singelo e colorido, expressa a brasilidade em paisagens nordestinas, motivos florais e figuras femininas, retratados de forma lúdica e alegre. Sua pintura é impressa em diversos suportes que considera autênticos para sua proposta, como couro bovino atanado proveniente de descarte, cerâmica e canvas, entre outros. Seus estilos artísticos preferidos são o naïf e a flat art, pelas cores vibrantes e pela ausência de perspectiva. Autodidata, utiliza principalmente as técnicas de colagem e pintura acrílica.

Limão Siciliano com Fundo Geométrica. 30x39cm - 2022

Ao falar sobre a pintura “Limão Siciliano com Fundo Geométrico”, Lu Filgueira explica que os frutos são os protagonistas de uma composição que celebra a vitalidade e a abundância. Entre formas geométricas e cores vibrantes, o contraste entre os contornos orgânicos dos limões e a precisão dos padrões cria um diálogo entre natureza e geometria, transformando elementos cotidianos em uma expressão de frescor, luminosidade e alegria.

Vaso com Flores e Fundo Geométrico. 80x62cm - 2020

Já em “Vaso com Flores e Fundo Geométrico”, a artista destaca o encontro entre flores exuberantes e padrões em diferentes tonalidades de azul. Segundo Lu Filgueira, a espontaneidade das formas florais dialoga com o ritmo da geometria, em uma composição que celebra a abundância, a beleza e a energia da natureza. O florescer ganha, assim, a força de uma expressão de alegria e vitalidade.

Amarelo Sertão

Em “Amarelo Sertão”, Lu Filgueira apresenta o sertão pelo olhar sensível e imaginativo da arte naïf. A artista explica que o sol em espiral, os mandacarus, as pequenas casas e os animais constroem uma narrativa em que a liberdade criativa se sobrepõe ao rigor das proporções. A luminosidade intensa, as cores vivas e a inspiração no cordel evocam a tradição popular nordestina, revelando um sertão de histórias, afetos e esperança, no qual cada elemento carrega um fragmento da memória e da identidade de seu povo.

Laranja Sertão

O céu de tons ardentes de “Laranja Sertão” dá continuidade a esse olhar sobre a paisagem nordestina. Lu Filgueira descreve como as casinhas, os mandacarus e o sol em espiral ganham formas simplificadas, livres das convenções da perspectiva, pela linguagem espontânea da arte naïf. Inspirada na tradição visual do cordel, a composição transforma o sertão em uma narrativa de memória e identidade, celebrando a força de seu povo, a beleza da cultura popular e a poesia que floresce mesmo nas terras mais áridas.

Florada do Ipê Branco em Tarde de Setembro

As memórias da vida no interior também florescem em “Florada do Ipê Branco em Tarde de Setembro”. Ao comentar a obra, Lu Filgueira destaca a liberdade poética da arte naïf, em que cores vibrantes e formas singelas privilegiam o encantamento sobre a representação fiel da realidade. Entre casinhas coloridas, palmeiras e ipês brancos em flor, a artista recria um universo de afetos, unindo a natureza à simplicidade do cotidiano. Seu olhar lúdico celebra a beleza das pequenas coisas e convida a revisitar um mundo de inocência, alegria e pertencimento.