TONI MONTEIRO: COMO UMA ESCULTURA PASSA A HABITAR UM VESTIDO?

O processo de Toni Monteiro para o Baile de Halloween da Sephora.

O designer curitibano Toni Monteiro compartilhou com a Aliena os bastidores do look criado especialmente para Marina Moreira Castro no Baile de Halloween da Sephora.

O cavalo esculpido e incorporado à peça exigiu uma estrutura interna reforçada, desenvolvida para sustentar seu volume sobre o corpo. Já a capa, concebida como uma continuidade do vestido, passou por testes e tingimentos manuais até alcançar o degradê escuro da barra.

Entre o que aparece e o que sustenta a imagem, o processo revela o encontro de técnicas que atravessa o trabalho de Toni: a escultura, presente desde a infância, a construção do vestuário e a pintura têxtil.

Nos Bastidores, um olhar de perto para essa criação.

Criar para o Baile de Halloween da Sephora é, sem dúvida, vivenciar a mais pura e absoluta celebração da criatividade. Me sinto imensamente realizado e feliz em assinar este look para a Marina Moreira Castro @ninacastrom, em um evento que se consagra como o espaço definitivo para subverter expectativas, respirar inovação e viver a moda em sua forma mais teatral e grandiosa. Traduzir o mistério e a magnitude desta edição foi um mergulho visceral na essência da experimental fashion art.

Para mim, o processo de criação sempre transcendeu a costura tradicional. Desde criança, a escultura foi a minha principal linguagem e o meu refúgio, e poder fundir essa técnica orgânica e tridimensional com a construção do vestuário é onde a verdadeira mágica acontece. O grande desafio e trunfo deste projeto foi esculpir o cavalo e acoplá-lo diretamente ao vestido, transformando a peça em uma verdadeira obra de arte vestível. Para que o look tivesse o caimento perfeito e suportasse o volume da peça escultural, precisei desenvolver uma estrutura interna minuciosamente calculada e extremamente reforçada, criando uma fundação arquitetônica firme que permitisse à escultura habitar o corpo da Nina com total imponência.

A narrativa visual do look ganha ainda mais força com a capa, desenvolvida para funcionar não como um acessório, mas como uma continuidade viva do próprio vestido. Para materializar o conceito que idealizamos essa colisão poética entre a pureza mítica e a elegância do abismo, me dediquei a um processo intenso de testes e tingimentos manuais. O resultado foi colorir e escurecer toda a barra de um preto denso e profundo, criando um degradê dramático que simula exatamente o encontro do celeste com o sombrio, como se a escuridão da floresta estivesse lentamente consumindo a luz.

Ver essa fusão de modelagem estruturada, pintura têxtil e escultura ganhar vida em movimento no tapete vermelho é a consolidação de tudo o que eu acredito como criador. Tudo isso é a pura arte do experimental!

designer TONI MONTEIRO