POR DENTRO DA TECLINE: 28 ANOS DE INDÚSTRIA, DESIGN E EVOLUÇÃO
Para marcar o aniversário da Tecline, conversamos com Valter Val Cin Filho, diretor da marca, sobre trajetória, processos, mudanças no mercado e o que mantém uma empresa relevante depois de quase três décadas.
Fotos: Manoel Sasson para Aliena
Como vocês definiriam a Tecline hoje e quais princípios orientam a forma como a empresa pensa, desenvolve e produz seus móveis?
Uma empresa com foco em mobiliário atemporal, que retrata a rotina e o modo de vida das pessoas, em que cada móvel possui um significado, aliando design, arquitetura, arte e funcionalidade.
O que acontece entre o primeiro desenho de uma peça e o momento em que ela finalmente sai pronta da produção? Quais são as principais etapas e decisões que transformam uma ideia em um objeto acabado?
Primeiramente, o produto é sempre pensado como uma peça de arte que possa ser utilizada no dia a dia e fazer parte da rotina de cada pessoa. Seu desenho não pode comprometer o ambiente ou interferir negativamente na arquitetura da residência. As principais etapas de um projeto começam pela análise da viabilidade técnica de execução, seguida pela avaliação de custos, tanto do objeto quanto de matrizes e gabaritos. Caso o projeto seja aprovado nessas etapas e validado, parte-se então para a produção do protótipo.
Como funciona, na prática, a relação entre designer, desenvolvimento técnico e fábrica durante a criação de uma nova peça? Como essas diferentes áreas contribuem para o resultado final?
O elo principal para que o objeto seja concebido com excelência passa pelas mãos do designer, responsável por dar vida e sentido ao produto. A conexão e a convergência estética devem sempre ser priorizadas, com um objetivo comum entre design, indústria e cliente.
Fotos: Manoel Sasson para Aliena
O que costuma ser mais desafiador no processo de transformar um desenho em um objeto que possa ser efetivamente produzido, sem perder a intenção original do projeto? Até que ponto as características, limitações e possibilidades da própria matéria interferem no desenho final de uma peça ao longo do processo de produção?
O grande desafio para o resultado final é encontrar o equilíbrio estético no uso dos materiais. Essa relação faz com que o objeto seja concebido de forma harmônica e equilibrada. A matéria-prima é o centro de tudo: é ela que nos proporciona e cria estímulos para explorarmos ainda mais suas potencialidades. Olhar para ela de forma orgânica é o que dá sentido ao objeto em sua concepção.
O que vocês gostariam que alguém percebesse em um móvel da Tecline antes mesmo de saber onde ou por quem ele foi produzido? Existe alguma característica que vocês consideram parte da identidade da marca?
A busca por uma obra de arte que, ao mesmo tempo, possa ser um objeto de uso cotidiano em cada lar é o que nos estimula a criar. Uma das principais características de um objeto da Tecline é não comprometer o ambiente arquitetônico da residência. Ele deve transmitir uma sensação de aconchego, atemporalidade e equilíbrio estético.
Como vocês imaginam que a fábrica e os processos de produção irão evoluir nos próximos anos, especialmente diante de novas tecnologias, materiais e formas de fabricar?
A indústria vem, ano após ano, evoluindo e criando formas mais rápidas de produzir por meio de tecnologias cada vez mais precisas. Esse processo nos estimula a estar sempre atualizados. Ao mesmo tempo, o toque da mão de obra, levando as matérias-primas ao limite de suas possibilidades estéticas, é o que faz com que um produto da Tecline tenha o caráter de uma obra de arte.
Fotos: Manoel Sasson para Aliena
Ao longo de seus 28 anos, a Tecline não construiu apenas móveis, mas também uma relação muito próxima entre indústria, design e execução. Da fábrica saíram peças que conquistaram reconhecimento em premiações nacionais e internacionais, resultado de um processo em que desenho, matéria-prima, precisão técnica e trabalho manual precisam encontrar o mesmo equilíbrio.
Mais do que acompanhar a evolução da indústria, a trajetória da Tecline mostra como a produção pode participar ativamente da construção de uma linguagem de design. Por trás de cada peça premiada existe não apenas a ideia de quem a desenhou, mas toda uma cadeia de desenvolvimento capaz de transformar conceito em objeto, e objeto em algo que permanece.